Mensagem Do Dia


                                           AS NOVAS GERAÇÕES E O USO DAS PALAVRAS
Por: Jaime Folle

      Vivemos num mundo tão avançado onde a evolução tecnológica fez com que esquecemos a magia das palavras. Minha equipe de profissionais que me ajudam e acompanham nos cursos e palestras, está há mais de dois anos estudando as novas gerações: baby boomers, X,Y,Z, e o que nos espanta é o quanto estas novas gerações estão se afastando do uso das palavras e principalmente de um bom vocabulário.
Contrariem-me o quanto quiserem, mas são as palavras que nos acompanham e nos libertam. Em sua onipotência, são claras como cristais ou obscuras como carvão.
Prosterno-me diante delas. Amo tanto as palavras. As inesperadas, abruptas; as planejadas, medidas. Vocábulos que têm poder, pois brilham como pedras coloridas, saltam como peixes na água, são esponja, são repelentes; são finas como linha de pesca ou são grosseiras como metal pesado.
Persigo as palavras.
São tão belas que quero utilizá-las, todas, em uma só frase.
Agarro-as, aparo-as, preparo-me para adequá-las ao meu dispor, em cada momento do meu pensar.
Conscientizo-me de que tudo está na palavra: uma ideia inteira se transforma porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra pousou como uma mosca dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu. Têm sombra, transparência, peso, plumas e pelos, depende de como as removo.
“Têm tudo o que se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes (…)Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada. Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos”. (Pablo Neruda).
São antigas e recentes, permanecem intactas ou são modificadas pela evolução do idioma, mas, ainda assim, necessitamos delas tanto quanto do alimento, pois vitaminam nosso cérebro, alimentam nosso pensar, abrilhantam nossas idéias como madeira polida.
Perdemos, ganhamos, mas carregamos ouro quando sabemos valorizar as palavras.
Podemos perder tudo, podem nos tirar tudo, mas deixem-nos a rigidez, a beleza, a supremacia das palavras.
Um belo vocabulário, infelizmente é coisa do passado!

Até a próxima